Sexta-feira, 31 de Dezembro de 2010

"Edge of Darkness", Martin Campbell

Desde "Signs" (2002), de M. Night Shyamalan, que me tinha esquecido de Mel Gibson como actor, até ter-me cruzado com este policial de ambientação "noir" sobre o tema da vingança, realizado de forma escorreita e despretensiosa pelo promotor do recomeço da franquia James Bond em "Casino Royale" (2006).

O lado obscuro e atormentado de Gibson e o sentido de perigo iminente imposto por Campbell - é notável, nesse sentido, a sequência em que uma personagem desesperada é atropelada ao sair de um carro - salvam um argumento previsível. Para além da melancolia atormentada de Gibson, com olhares que transitam entre o ódio e o medo numa visceralidade intensa, prima o eterno secundário Ray Winstone, num papel que estava feito para Robert De Niro, a criar um assassino repleto de idiossincrasias e que ganha todas as (poucas) cenas em que entra.

A descida ao Inferno, que tanto atormentou as personagens de Fritz Lang na sua fase americana, é retratada de maneira convincente, sobretudo, porque Martin Campbell vai privilegiando a atmosfera muito mais do que as conspirações e os diálogos extensos. O ponto principal é a acção em direcção ao abismo para aplacarem sentimentos difusos. Apesar do desfecho conter uma crise exagerada de identidade e uma metáfora simplória sobre a morte, "Edge of Darkness" estabelece-se como um thriller bem executado.

- Realização: 12
- Argumento: 9
- Interpretações: 13
- Filme: 11

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